sábado, 8 de maio de 2010

Juntos

"Você quer que tudo seja como as histórias que você lê, mas nunca escreve.
Você tem que aprender a viver, e viver e aprender.
Você tem que aprender a dar e a esperar sua vez.
Estou preocupado."

Assinado: Jack White/Brendan Benson

quinta-feira, 6 de maio de 2010

"Nada de saudosismo,

Saudosismo é uma espécie de masturbação sem verdadeiro prazer, uma inutilidade atravancadora, que no máximo pode ser empregada para brincadeiras, mas geralmente é perda de tempo mesmo.”

Tudo bem, eu concordo. Não existem bons tempos, só tempos.
E existem as memórias destes tempos.
Na verdade essa história de tempo é muito relativa, como todos já sabem.
Estou na empolgação de escrever sobre um tempo que, dentro de uma verdade sistemática, durou alguns dias. Agora, se você me perguntar eu responderei que vivi uma ERA.

A intensidade absurda e a quantidade surreal de simbolismos fizeram com que aqueles momentos se tornassem referência. A minha referência da Verdade.

Eu lá, imatura, esforçada e superficial.
E ele lá, sendo ele.


- Você precisa transar e fumar maconha.

- Com você.


Eu sou capaz de criar um GRANDE filme sobre estes dias.
Com estes dois GRANDES personagens.

Adiantarei a cena final, que não poderia ser menos grandiosa.

Cine Lapa - Festa de Rock - Noite

Nunca. Repito. Nunca fiquei tão bêbada como este dia.
As pessoas não passavam de borrões encarnados e eu conversava com elas numa alegria exagerada tentando preencher o vazio imenso que estava sentindo porque ele não estava lá.
De fato algumas semanas depois um cara veio falar comigo como se já me conhecesse há anos e eu não lembrava dele de jeito nenhum. Depois fomos descobrir que eu tinha puxado assunto com ele nesse dia do Cine Lapa. Trágico.
Eu sei que ligava de dez em dez minutos e nem lembro o que ele respondia.
Até que alguma hora da madrugada, estava eu do lado de fora exercitando meu lado 'poetisa' (como ele mesmo diz) e bastante introvertida quando olhei pro lado.Ele estava lá. Nos abraçamos. Muito forte. E só.
Fugi. Saí dali. Achei que ia explodir.
Ao longo da noite a gente se esbarrou mais umas duas vezes. E nos abraçamos. Só.
Eu só conseguia abraçá-lo e ir embora.
E ele de fato foi embora. Da festa. Do Rio. Depois do Brasil.
E eu fiquei. Fiquei. E ainda estou.


Antes disso, no início desta história, digamos que antes da primeira virada do roteiro, ele tocou Simon & Garfunkel no violão.
Aí ele foi embora. Não de vez, ainda.
E eu fiquei ouvindo "Dangling Conversation". Essa música entranhou em mim de uma forma inexplicável. Até hoje ouço e lembro da sensação inigualável de esperança, conforto, aceitação e afeto.

Éramos nós... e sou eu agora.

And how the room is softly faded
And I only kiss your shadow,
I cannot feel your hand,
You're a stranger now unto me


Lost in the dangling conversation.
And the superficial sighs,
In the borders of our lives.


(Perdidos na conversa pendente e nos suspiros superficiais, in the borders of our lives.)

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Dissolver o caramba!

O que é isso?? Eu estava hibernando por acaso??
Me sinto viva quando sinto raiva.
Romantismo grau zero mesmo ouvindo Frank Sinatra. That's me now.
Costumo derreter por qualquer bobagem e a Raiva consegue fazer com que eu vire gelo novamente.

Ontem foi brabo.
Chorei ouvindo 'In the wee small hours of the morning', cantado pelo Frank, antes de ficar surda novamente.
Essa música me lembra o Jack Kerouac. Em 'Vagabundos Iluminados', ele descreve:

'Estava passando o tempo no jardim enquanto escurecia, cantando "Wee Small Hours", quando cheguei à frase "when the whole wild world is fast asleep" meus olhos encheram de lágrimas. "Okay world", eu disse, "I'll love ya".'

E essa música é bizarra. A voz do cara é bizarra. Você consegue perseguir a melodia enquanto ela se infiltra em você. Quando você percebe, uma lágrima sai do seu olho. É a melodia making its way out.

Mas voltemos à Raiva porque eu estava prestes a derreter novamente.
[Droga, era pra ouvir qualquer coisa menos Frank Sinatra hoje]
A vontade de magoar alguém é proporcional ao tamanho da sua própria mágoa?


Todo dia eu prometo que irei me abrir completamente ao que vier, sem medo de me machucar. Mas o medo me persegue. Ele não desgruda.
Só que agora eu estou com uma vontade imensa de pisar em cima dele até fazer CREQUE. Como se o Medo fosse uma barata monstruosa.
Estou com Raiva do Medo.

Ah, quer saber? Eu estou ouvindo 'Strangers in the Night'.
Vai dar tudo certo no final.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Friday Monster

Me olho no espelho. Sexta-feira à noite.
Ouço uma música meio psicodélica duma tal Banda de 7 Léguas.
Coloquei uma maquiagem preta nos olhos e ficou bonito. Muito bonito.
Olho de novo no espelho. Estou quase desnuda e sozinha no quarto.
Sento na cama enquanto admiro melancolicamente a maquiagem... AAAAAAAAI.
Levanto de um pulo!
Puta que pariu. Uma formiga gigante picou a minha bunda!
De onde saiu esse monstro e o que ele tá fazendo na cama??
Deixei a bicha tontinha e ela despejou todo seu ferrão na minha nádega esquerda.
Eu queria ficar em casa. Agora não posso mais. É um sinal.
Vou tomar uma cerveja.

Psicodélicamente constato:

As vezes você precisa ser picada por uma formiga para sentir...
para se sentir...
Viva, sei lá.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Sabe,

as vezes me sinto como um sósia de mim mesma.
Uma contradição ambulante.

Woody Allen me fez sentir melhor depois de ter dito que a "coerência é o fantasma das mentes pequenas".

Não passa um segundo sem que eu queira me dissolver em moléculas.
Como aquele diálogo de 'Antes do Amanhecer'.

Jesse diz: i feel like if someone were to touch me, i'd dissolve into molecules.
Celine: so, i want to try something.
Jesse: what?
Celine: [hugs] i want to see if you stay together or if you dissolve into molecules.
Jesse: how am i doing?
Celine: still here.
Jesse: good, i like being here.

Meu cérebro consegue me manter longe de tudo isso. A vontade que eu tenho é de laçá-lo e amordaçá-lo. Filho da mãe. Como eu gostaria de não pensar. Quer dizer, não pensar demais. É como se eu não vivesse. Só pensasse que vivo.

Então eu vou andando fingindo estar firme e forte (as vezes até que estou mesmo) quando na verdade só queria ser parada e abraçada espontâneamente por alguém que eu gosto.

Neste momento sinto que se alguém me tocasse, eu dissolveria.

Still here

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Só.

Aquela agitação pré-saída. Pega aquilo, bota a roupa, passa perfume. Três pessoas indo de um lado pro outro, se esbarrando pelos corredores. Enquanto eu sorrio levemente e observo a chuva cair. Uma agitação também toma conta de mim. E um pensamento: 'Porque eles não vão logo?'.
Tchau, bejo, té mais, qualquer coisa liga.
A porta bate!

E ali estou eu parada. Em pé. No meio de uma casa vazia.

Ahhhhh a sensação indescritível!
Me apresso em colocar uma música. ALTA.
Venus In Furs. Heroin. Velvet Underground, you know.
Enquanto Lou Reed canta 'Shiny, shiny, shiny boots of leather...'
Eu faço um sanduíche, passo perfume, fico de calcinha, danço, leio, folheio os livros da prateleira.
Tudo isso enquanto Mr.Reed me hipnotiza.

Aí Zooey Deschanel começa a cantar 'Me and You'...
Depois uma tal de Meaghan Smith vem com uma versão fofa de 'Here comes your man'
E eu sempre derreto!

Quando Bob Dylan vem pintar a minha alma...
ele suspira: Lay lady lay
E eu me reviro na cama. Ainda mais nesse friozinho.

Ahh a sensação...

Tom Waits vem me preencher com aquela voz e chama Simon&Garfunkel pra me lembrarem do porque.

Só de pensar, só de escrever imaginando, sinto meu coração esquentar.
hmmmm

Tão livre como o pássaro desenhado nas costas.
Tão... livre.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Gettin' weary

Dificilmente fico entediada.
Só lembro de uma vez há mais ou menos dois anos atrás, eram duas da manhã, minha irmã estava com o namorado na sala... e eu tava no computador conversando com pessoas desconhecidas no MSN! Pessoas da comunidade do orkut "Barbudetes". É SÉRIO. Atingi o fundo do poço. Coloquei uma roupa e fui no posto de gasolina comprar Coca-cola. É SÉRIO. Eu estava na pior. Foi a primeira vez que senti o gosto amargo do TÉDIO.
Jurei nunca mais sentir aquilo novamente!

Esses últimos dois dias tem representado um grande teste, colocando meu poder bloqueador à prova.
Só saí de casa para comprar o bendito refrigerante no mesmo posto de gasolina! E fiquei conversando com pessoas conhecidas no MSN. OPA! O alarme soou.

Pior do que sentir tédio é reclamar de tédio.
Mas hoje eu quase implorei pra ir à faculdade ter aula! Drá-ma-ti-co.

Quer falar de drama?? Vamos falar de drama!!
É dramático não conseguir se inspirar e não conseguir colocar nada pra fora.
É dramático e claustrofóbico!

É DRAMÁTICO FICAR SE REPETINDO. Falando sempre as mesmas ladainhas.
Mas quando você grita no ouvido de Deus que "tudo sempre é a mesma merda", quem fica surda é você. Então, muito cuidado!

E nãão, eu nem vou colocar a culpa na TPM dessa vez. Ou talvez sim, no Tesão Para Mudar.

Porque a vida não me suga por completo? Ah, calma aí, deixa eu tirar essas podridões do ralo da minha mente pra ver se dessa vez vai...

(Você É mais quando não tenta ser at all)