sábado, 19 de janeiro de 2013

one whole hour at a time

Eu considero estar vivendo em um retiro mental e espiritual por aqui.

é muito estranho. os dias são extremamente longos.
e eu vivo praticamente isolada em um quarto numa cidade do interior de Portugal.
o ponto alto do meu dia normalmente é ir ao cinema.
ouço relatos, vejo fotos, leio experiências compartilhadas pela internet...
e tudo parece completamente diferente do que imaginei antes de chegar aqui.
primeiramente nunca pensei que ia sentir essa saudade sufocante e angustiante do meu namorado...
é horrível. de verdade. eu tento focar em outras coisas, tento não desperdiçar essa oportunidade de ouro, a realização desse sonho. mas esse inverno, essa cidade ridiculamente pequena e a minha tendência natural ao isolamento + o meu ouvido e esse chiado eterno que eu tenho que escutar não estão me dando trégua;
todo dia é uma longa jornada pra mim.
eu estou tentando. e eu vou conseguir.
preciso muito tirar todos os proveitos, aprender todas as lições, conseguir enxergar os ensinamentos.
mas é duro. é difícil. é penoso. ter que encarar você mesmo de frente todos os dias e descobrir que você é sua melhor amiga e sua pior inimiga.
Não tenho vida social por aqui. simplesmente não tenho.
o problema mesmo, na boa, pra mim, é Covilhã.
Aqui estou percebendo a influência direta que uma cidade pode ter em você.

Não quero fazer mimimi. De verdade estou tentando abstrair o máximo todo esse redemoinho de emoções negativas que estou sentindo. Saudade do Brasil. Saudade do André.
Saudade de vida social (RISOS).

vontade de saber o que tenho me tornado.
(não consigo enxergar ainda)

sábado, 1 de dezembro de 2012

and in the end

Tenho problema com a vida porque tenho problema com edição.

e a maior ironia de todas é que quando me perguntam em que eu pretendo me especializar na minha carreira de cineasta (risos), eu respondo: 'montagem'.
SDDS terapia.
Por exemplo os textos desse blog. Me dá uma vontade de escrever, eu abro a página, escrevo e publico. de uma vez. não tem essa de editar ou escrever no word primeiro. nunca foi assim. Quero fazer uma música. peguei o violão, escolhi os acordes, fiz a letra. pronto, acabou. cantar. não tem aquecimento vocal nenhum. pronto, cantei. e por aí vai. e tem que sair perfeito. tem que ser foda!
e é exatamente por isso que eu me acho uma pessoa completamente sem talento algum pra nada.
porque como disse Henry Miller, eu não caminho por tempo suficiente na estrada que escolhi. Tenho que obter os resultados imediatamente! e os resultados tem que ser maravilhosos!
então eu abandono tudo porque não SUPORTARIA me ver falhando em nada. então, acabo nem tentando.
Meu ego é uma coisa tão gigante e transbordante que eu acabo me sufocando.
Ando por aí dentro dessa bolha de egocentrismo, nesse mundo onde eu sou importante pra mim e isso basta!

cadê o processo? as sementinhas que eu tenho que plantar? a coragem pra enfrentar o mundo de peito aberto? cadê?
nesse momento eu iria olhar pra Janete, minha ex-analista, e ela iria olhar de volta e me perguntar:
é, cadê?

ONDE ESTÁ?

Está nesta pequena falha de caráter ou o que quer que seja, onde eu prefiro me abster de ter uma vida afim de não me chatear. Isto é, me responsabilizar por qualquer coisa.
Está na minha preguiça das pessoas. preguiça de discutir. preguiça de interagir. preguiça de me chatear.
e por isso mesmo, a minha vida está um absurdo.
um absurdo, porque eu tenho 25 anos mas parece que tenho 16.
eu tenho até a fisionomia de uma menina de 16 anos, tamanha a minha falta de amadurecimento.
porque eu estou completamente afogada nesse FORMOL DO EGO.

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eu parei de escrever isso tudo aí em cima e saí da página pra refletir um pouco.
aí parei no blog da Mallu Magalhães, essa linda que me inspira demais. ela postou hoje mesmo sobre o Fernando Pessoa, esse lindo que me inspira demais. e falou da sincronicidade do mundo, coisa em que acredito demais! depois parei no vídeo do Toquinho cantando 'Caderno'. e isso me remeteu à minha infância. eu amava o Toquinho. lembrei de como a música sempre me atravessou de uma maneira mágica, eu sonhava acordada, tinha visões e por alguns momentos entendia a verdade da vida. e a verdade da vida é que ela é feita de momentos. e eles só serão eternos se você quiser que eles sejam.

e eu sou tudo isso e mais um pouco. eu sou essa pessoa de ego transbordante e também sou a pessoa que enxerga isso e quer ser cada vez melhor. eu sou tudo isso. e mais um pouco.
e daqui a pouco não serei mais nada disso.

e tá todo mundo junto nesse barco.
sou full of shit, full of ego, mas acima de TUDO
I'm so full of love!

e só o amor salva.

(the love you take is equal to the love you make)

sábado, 24 de novembro de 2012

in the water where I center my emotion

tenho refletido sobre meu corpo e minha alma e descobri do que eles são feitos.
água.

sou água. reflexo. adaptação. poder. emoção. fragilidade.

e nesse mundo perturbado quanto mais interajo com as pessoas descubro que sou um pedaço de cada uma delas. eu posso ser todas elas. se eu posso ser todos, quem eu realmente sou?

a minha necessidade de isolamento vem exatamente da minha conexão sem fim com todo o universo. é extremamente agoniante. eu sou todo mundo e por isso mesmo sou ninguém.

me tranco entre quatro paredes e grito e canto e leio. leio que ''quem sente não é quem é. atento ao que sou e vejo, torno-me eles e não eu. cada sonho ou desejo é do que nasce e não meu''. e choro! e falo 'Fernando, obrigada!". Fernando muito Pessoa. quem melhor do que você, meu português lindo, pra definir o indefinível.

aqui estou segura. sozinha eu sei quem sou. mas é falar e tocar em qualquer ser humano e consigo absorver os seus anseios, suas idéias, suas palavras e as vezes não consigo separar o que é meu do que é do outro. e fico confusa. meu coração encolhe. "Não sei quem sou, que alma tenho. Quando falo com sinceridade não sei com que sinceridade falo. Sou variamente outro do que um eu que não sei se existe (se é esses outros). Sinto crenças que não tenho. Enlevam-me ânsias que repudio. A minha perpétua atenção sobre mim perpetuamente me ponta traições de alma a um caráter que talvez eu não tenha, nem ela julga que eu tenho. Sinto-me múltiplo. Sou como um quarto com inúmeros espelhos fantásticos que torcem para reflexões falsas. Uma única anterior realidade que não está em nenhuma e está em todas. Como o panteísta se sente árvore e até a flor, eu sinto-me vários seres. Sinto-me viver vidas alheias, em mim, incompletamente, como se o meu ser participasse de todos os homens, incompletamente de cada, por uma suma de não-eus sintetizados num eu postiço". (Pessoa)

e assim, eu me permito sair pra ver o mundo vez ou outra e a experiência é sempre incrível e esgotante. como se eu me derramasse em todos e voltasse pra casa vazia. e não há liberdade maior do que sair por aí vazia. que é quando os outros derramam-se em você. e aí eu volto transbordando o que roubei sem intenção.

de todo jeito quero ser o mar, mas sou somente uma gota.

e na água onde centro todas as minhas emoções,
all the world can pass me by



sábado, 17 de novembro de 2012

Repost

"eu tiro meu livro da bolsa, inflamada de orgulho e de vergonha. queria que todo mundo soubesse a preciosidade ali nas minhas mãos, crônicas de clarice lispector, essa mulher, queria que as pessoas soubessem que estou ali abismada com a metafísica de um ovomaltine, meu deus, alguém percebeu o paradoxo do ovomaltine. queria que o mundo soubesse que estou ali usando meu cérebro e que não é fácil. mas mais do que isso, quero que todo o vagão saiba de quem lê clarice lispector: eu.

mas estou apenas com um livro de capa verde-água na mão, numa fonte horrorosa e uma ilustração ainda pior, e toda a gente ali deve achar que se trata de auto-ajuda.

desembarco e a vida é isso."

Esse é um texto do blog http://vodcabarata.blogspot.com/, intitulado "o maior ego do mundo".


o maior ego do mundo ainda é o meu!
(risos)



sexta-feira, 16 de novembro de 2012

You're just a human, a victim of the insane

Aos poucos a grande neblina que envolve meu cérebro vai se dissipando e consigo vislumbrar flashes de realidade. A rotina sempre chega de mansinho pronta pra nos devorar.
A novidade sempre envelhece, you know.
Assim como todo o resto. e é isso que nos mantém aqui; saber que um dia não vamos mais estar.
Mas tudo ainda está muito quente, acabado de sair do forno. Por isso ando queimando minha língua com frequência. Não quero falar do que eu não entendo.
Me sinto presa dentro de um filme brasileiro em cartaz num cinema português. Aqui eles interrompem o filme exatamente na metade e fazem dez minutos de intervalo. Estou na parte em que a personagem principal é apresentada ao espectador e ambos não fazem a menor idéia do que os aguardam.
Pois é. Aqui estou eu, à espera do conflito. Existem milhares de possibilidades, por isso ando curiosa pra saber qual delas irá se desenvolver.

Enquanto isso, o alvoroço existencial do momento envolve sexo, drogas, roquenrou e velhice.
falta toque, falta cerveja com amigos, falta língua na língua, falta companhia fodástica pra compartilhar momentos fantásticos, falta barba, falta desejo, falta mão, falta pegada, falta presença.
me dê um minutinho desse intervalo que deve durar pelo menos um dia na vida. Um dia na vida com você equivale a um século na companhia dos que não interessam e vamos ser sinceros... nesse mundo minusculamente enorme os que não interessam são esmagadora maioria.

"The world is just a little town
Everybody trying to put us down
Isolation"

Mas sempre nos falta algo porque estamos constantemente cavando buracos psicológicos que acabam perfurando nossa alma. Eu sou esse buraco negro que suga tudo o que está à volta, sou esse vazio existencial que tenta se preencher através da realização de outras pessoas, sou essa vagina e toda sua simbologia, a eterna passividade, receptividade, a defesa e não o ataque, o abraço e não o soco, a que é penetrada, a fêmea, a mãe, a mulher.

Acima de tudo sou a lua e todas as suas crateras.
(e nenhuma bandeira jamais será fincada aqui)
 

sábado, 18 de agosto de 2012

me complico

é estranho dizer que minha mente é muito objetiva quando tudo o que consigo dizer me parece tão subjetivo. acontece que minhas palavras não contém lirismo, somente meus ouvidos.
é estranho se perceber presa por falta de espaço, já que são muitas dentro de uma só. é estranho ter tanta mágoa no coração e por causa disso acabar magoando os outros. é estranho sentir que o amor e o ódio caminham juntos. (eu te amo muito e te odeio por isso).

é estranho se controlar quando tudo o que eu queria era berrar tanto tanto tanto no meio da rua e gritar pra humanidade que está tudo errado e ser amarrada no hospício por ter falado uma verdade. eu ia me sentir muito melhor ao saber que não estava fazendo parte dessa sociedade hipócrita. mas isso ia ser fácil demais.
porque é sempre fácil culpar os outros e a loucura é um tipo de fuga. eu faço sim parte dessa sociedade e contribuo pro aumento dessa hipocrisia desenfreada. tá tudo tão 'politicamente correto', as pessoas estão mais frágeis, parece que tudo sempre é muito fácil e simples e cheiroso e bonito.

você percebe que está mais perdida do que nunca nesse redemoinho de frustrações, amores e mágoas que construíram quem você é hoje. você acha que tinha deixado tudo no passado, mas sempre existirá um momento. uns cinco segundos de pura humanidade e crueldade. um veneno que escorre da sua boca vindo do fundo da sua alma. um momento de verdade. um momento onde você começa a perceber que isso também é você. você não é só cheirosa e bonita. você é podre, velha e rancorosa também. e tá tudo certo. porque você não escolheu ser só isso. e isso é bom. não se culpe.

as vezes me pergunto porque me apego tanto ao passado.
minhas cicatrizes sempre foram muito simbólicas.
sempre existiu essa dualidade entre o amor e o ódio.
e algumas cicatrizes ainda me machucam e vão continuar a machucar
até eu conseguir ser/me comportar como uma pessoa inteira
e não uma sombra
a sombra de alguém que na verdade é um símbolo forjado pela minha própria mente
e pelos meus medos;

não quero ser a sombra de mim
quero ser luz.


eu, uma música do caetano:


"Que tem muito ódio no coração,
Que tem dado muito amor,
Espalhado muito prazer e muita dor."

"
Mas ela ao mesmo tempo diz
Que tudo vai mudar,
Porque ela vai ser o que quis
Inventando um lugar"

"
As garras da felina
Me marcaram o coração,
Mas as besteiras de menina
Que ela disse, não."

terça-feira, 7 de agosto de 2012

fucking maturidade.

Se fosse há algum tempo atrás eu estaria me descabelando, estaria escrevendo aqui em caps lock eterno sobre a raiva que estaria sentindo.
mas não. hoje não.
minha vida está se tornando uma longa e contínua meditação.
parei com hábitos negativos que antes faziam parte de mim... (nem todos, posso dizer)
ao mesmo tempo tudo é tão estranho e tão normal!
tava pensando em superficialidade e profundidade novamente.
em objetividade, foco, coragem e esforço. Na sorte e no Cosmos.
Estou prestes a realizar um grande sonho!
eu poderia dizer que ele veio até mim de mão beijada...
mas estaria sendo contrária a tudo que acredito.
A vida me preparou desde o momento em que comecei a sonhar.
Me preparou para a realidade.
Viver um sonho sem conhecer a realidade perderia toda a graça.

Então estou aqui. Meditando. Esperando. Focando.
Agradecendo. Muito. Todos os dias.

Vipassana Rules.
Esteja consciente da impermanência de tudo.

 transitoriedade, efemeridade, temporalidade, fugacidade, instantaneidade, mutabilidade, durar como um sonho, desfazer-se como o sal n'água, provisório, fluxo, espasmódico, episódico, repentino, finito, fungível, en passant, mortal.