quarta-feira, 18 de maio de 2011

Bang Bang

Aquela guerra estava me consumindo. Muito sangue, suor e lágrimas provocadas por excessivas explosões mentais. Sair daquela trincheira estava ficando cada vez mais difícil e trabalhoso. Sempre fui covarde. Aquele soldado que se posta atrás dos mais ligeiros no gatilho. Não quero atirar mas também não quero morrer, oras. Quando o inimigo inevitavelmente se aproximava, tratava de afastá-lo completamente a pontapés! E a granada acabava por explodir nas minhas próprias mãos. Feridas e calos trazidos de uma vida anterior a essa, com certeza. Minha covardia sem limites estava explicada! Eu morri naquela guerra e meu corpo não aguentaria mais tanto arranhão.

Chegou por trás e me sequestrou.
Longe de todo o caos, eu permaneci. Viva.
O barulho dos tiros não me incomodava mais naqueles momentos em que o inimigo falava comigo. O barulho estava lá, todo o tátátá pá pow!
'como as pessoas gostam de estraçalhar os corações alheios.' pensei
e o inimigo fazia, falava e demonstrava (que existiam exceções).
e eu mentia. porque eu minto muito bem. minha maior habilidade. aquela velha granada que não cansava de explodir. e volta e meia estava eu lá, toda destroçada.
e o inimigo vinha e me colava toda novamente.
e eu pensava: porque?! porque ele está fazendo isso?!

'porque não atira logo?'
'porque estou aprendendo com você'

Aprendendo... pensei que afinal o inimigo não batesse muito bem. Deixa estar.
Tô viva pelo menos.

dormindo com o inimigo e mais acordada que nunca.

o tempo passou e nosso esconderijo deixou de ser escuro, duro e estranho.


Um belo dia resolvi perguntar:

'O que afinal você aprendeu comigo?'

No que ele respondeu ligeiro:

'Pode ser piegas... mas eu aprendi a amar.

e minha espada caiu dura e barulhenta
meu escudo se desmontou como se não passasse de lataria enferrujada

'e eu aprendi a me desarmar'

He shot me down, bang bang
I hit the ground , bang bang
That awful sound, bang bang


My baby shot me down.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

I met John Lennon

Nesses últimos dias o peso de toda a poeira universal esteve presa em mim.
Não estava aguentando mais me carregar.
Então lá fui eu, pra Inglaterra.
Brindar à vida com um chá.
O amor me pegou pela mão e falou que existe.
Me diluí com o mundo como sempre quis fazer.
Me possuí de possibilidades.
e aprendi que amar é respeitar os demônios alheios.
eu entendi e agradeci sem querer.

e agora eu agradeço porque quero.
porque estou pulsante e leve


como uma pena

quinta-feira, 21 de abril de 2011

all this time, love.

amar é fácil.
mas assim como tocar algum instrumento, desenhar e fazer filmes.
É uma arte. Quanto mais aprimorada a técnica de tocar violão ou desenhar, mais espaço/tempo irá se obter para a criação em si. mais domínio de técnica = mais liberdade.
digo o mesmo para o amor. Eu e Erich Fromm concordamos bastante neste aspecto.
É tudo realidade. Quanto mais próxima do real você estiver, mais próxima da liberdade você estará. O caminho não é pra cima ou pra baixo, é pra frente.
A teoria eu já sei de cor. o que me falta é a prática, a técnica. sinto saudade da liberdade como se ela fosse um ídolo querido da minha infância que nunca tive oportunidade de conhecer.
Minha liberdade chama-se John Lennon.
Minha liberdade prega o amor e está sendo morta a tiros por uma fã psicopata.

"In between love and trying to scheme love
Who can tell what we may find
All this time love, I sublime love
To the feelings in my mind"

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Sou poeta?

Segui meu coração.
Aprendi a lição.
De hoje em diante só sigo meu tesão.

domingo, 27 de março de 2011

terça-feira, 22 de março de 2011

Whatever

Escrever sem inspiração é uma arte. Viver sem inspiração também.
Tô aqui boiando. Deitada de barriga pra cima, cuspindo água, água, água.
E a terra não chega, o fogo apaga e o ar sufoca.
Resta-me virar um peixe. E se eu fosse um peixe seria aquele peixe Beta, sabe?
Lindo, lindo, lindo, forever alone e sobrevivendo em um mini-aquário.

Contradição é meu segundo nome.
Tudo o que eu prezo não faz parte da minha natureza.
Mas a parte legal de conseguir sobreviver por todo esse tempo,
é a construção dessa visão panorâmica de si mesmo.
É complexo, contraditório e claustrofóbico.
Mas é lindo demais.


fazer o que?

terça-feira, 8 de março de 2011

Laboratório do Céu

a gente conversa, ri e chora sabendo que o fim está sempre
à espreita. como uma assombração incômoda.
porque assim como essa última frase, a vida é redundante.
cabe a nós ignorar solenemente o encosto
abrir uma brecha para a 'felicidade',
essa palavra composta de momentos.

e viver nunca foi tão estranho
porque nunca foi tão normal.
tão não-dramático
tão 'levantada de ombros'.

viver é levantar os ombros como quem diz 'é isso aí'
não como quem diz 'não me importo'.

porque quando você não se importa, meu amigo,
o buraco é mais embaixo - mais ou menos à sete palmos do chão.