quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Carta ao papai

eu sei que as coisas vão se ajeitar. enquanto isso eu choro. vou às aulas. me inscrevi na yoga e no pilates e pretendo fazer meditação . mas dói muito. não é somente meu apego, mas o fato de como eu ''me dou conta de'' que sou amada. preciso que as pessoas  demonstrem seu amor. preciso ouvir. preciso de segurança. é isso que eu entendi de mim. é a minha natureza. e pra nadar contra isso e praticar o desapego... tenho que passar por essas dores. eu tô entendendo assim, pelo menos. todo dia eu fraquejo e logo depois volto a ter forças. acho que é normal.

tem essa frase do Nietzsche: "one must still have chaos in oneself to give birth to a dancing star"

eu queria/quero conseguir colocar tudo isso no papel ou na música. mas ainda não tá rolando. sempre tive dúvidas em relação ao meu talento. but then again, eu to me questionando muito sobre tudo.

não almejo nada menos do que give birth to a dancing star.
porque eu quero muito ser uma dancing star.

por enquanto, fico com o caos.

love you!

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

on my own


Eu fui. Ele ficou.
Agora ele provavelmente está tomando uma cerveja com amigos.
Eu queria tomar uma cerveja com amigos. Eu queria viver minha vida. Eu não queria estar morrendo de frio. Não mesmo. Mas e aí, sabe? Vou culpar o inverno? Fazem 4 dias. QUATRO dias. E me parecem 4 anos. Eu não tô exagerando. Estou muito triste porque sei que tudo mudou mas não sei exatamente o que. É isso que me desespera. Não me sentir conectada com ele me faz sentir muito distante de mim... ou de quem eu era. Eu gosto de mim quando estou perto dele. E se até essa sensação fugiu pela janela do banheiro, o que me resta?  Me reinventar? Eu tô tentando. Talvez eu tenha que chorar todas as lágrimas do mundo pra entender. Mas entender o que? Eu não sei o que. Só sei que preciso entender.
Sei que preciso muito me libertar. Talvez eu precise me desidratar de tanto chorar pra me libertar. Sofrer o que eu posso pra me ver livre.  Pra amar de verdade.
Sofrer muito pra conhecer a verdade. Eu quero conhecer a verdade.
Nem que eu chore todos os dias por quatro meses seguidos.
Não almejo nada menos do que isso.

This too shall pass.

sábado, 26 de janeiro de 2013

Mal-comida

Eu faço listas. penduro um calendário do Estranho Mundo de Jack na janela. formulo planos a respeito da minha ida ao supermercado naquela semana. falo em voz alta: "hoje vou fazer uma faxina nesse quarto!". também defino minhas tarefas para o dia: beber no mínimo 2 litros de água.
Sento na cama e olho em volta com cara de desgosto.Meu quarto está horrível. Tremendamente bagunçado, um caos total. e todo dia eu digo que vou arrumar. pequeno resumo da minha vida inteira.
faço planos. penso no que poderia ser.... mas nunca nunca nunca nunca coloco em prática.
é uma dificuldade que eu não sei explicar. minha vida é na base da teoria, por isso que o setor acadêmico 'teoricamente' seria perfeito pra mim. Cheio das hipocrisias e tudo mais. Bem eu.
Se eu te falar que estou há mais ou menos 3 anos e meio (pra não falar 4) na faculdade, não aprendi nada, e ainda faltam mais alguns anos pra terminá-la, você vai acreditar em mim? Olha, tudo bem, nem eu acredito.
Mas eu as vezes me pego extremamente chocada com a minha situação. (que bom, né? bom senso a gente vê por aqui). A minha total incapacidade de colocar QUALQUER coisa em prática e deixar minha vida LINDA na teoria mas na realidade ela é o reflexo mais sincero do estado em que meu quarto se encontra atualmente.  Quarto caótico, mas ao invés de arrumá-lo,  ocupo meu tempo postando foto de decoração de quartos no tumblr. JUST MA LIFE.
Enquanto isso, a palavra tédio já não consegue mais definir minha vida e estamos à procura de novos conceitos.
Vamos falar de sexo que é mais interessante, não é mesmo? então, não estamos trabalhando com este setor no momento. e álcool? Também não, minha senhora.
Isto justifica tudo? Talvez. Sexo é uma ótima distração, sabe.
é aquilo, sua vida tá uma merda mas pelo menos cê está trepando loucamente com o cara que você ama.
"ai que dia horrível, vem aqui amor me faz feliz"
dor de cabeça my ass.

então, resumo: estou sozinha sem alcóol e sem amor, absolutamente presa à realidade caótica da minha vida. que já se encontrava assim antes, porém hoje não tenho vida social ou sexo gostoso para me distrair.

OBS: nunca na história deste país achei que iria escrever algo como "sexo gostoso". mas também nunca acreditei que pudesse me viciar em iogurtes e o que me aconteceu? pois.

Está tudo ótimo. =)

sábado, 19 de janeiro de 2013

one whole hour at a time

Eu considero estar vivendo em um retiro mental e espiritual por aqui.

é muito estranho. os dias são extremamente longos.
e eu vivo praticamente isolada em um quarto numa cidade do interior de Portugal.
o ponto alto do meu dia normalmente é ir ao cinema.
ouço relatos, vejo fotos, leio experiências compartilhadas pela internet...
e tudo parece completamente diferente do que imaginei antes de chegar aqui.
primeiramente nunca pensei que ia sentir essa saudade sufocante e angustiante do meu namorado...
é horrível. de verdade. eu tento focar em outras coisas, tento não desperdiçar essa oportunidade de ouro, a realização desse sonho. mas esse inverno, essa cidade ridiculamente pequena e a minha tendência natural ao isolamento + o meu ouvido e esse chiado eterno que eu tenho que escutar não estão me dando trégua;
todo dia é uma longa jornada pra mim.
eu estou tentando. e eu vou conseguir.
preciso muito tirar todos os proveitos, aprender todas as lições, conseguir enxergar os ensinamentos.
mas é duro. é difícil. é penoso. ter que encarar você mesmo de frente todos os dias e descobrir que você é sua melhor amiga e sua pior inimiga.
Não tenho vida social por aqui. simplesmente não tenho.
o problema mesmo, na boa, pra mim, é Covilhã.
Aqui estou percebendo a influência direta que uma cidade pode ter em você.

Não quero fazer mimimi. De verdade estou tentando abstrair o máximo todo esse redemoinho de emoções negativas que estou sentindo. Saudade do Brasil. Saudade do André.
Saudade de vida social (RISOS).

vontade de saber o que tenho me tornado.
(não consigo enxergar ainda)

sábado, 1 de dezembro de 2012

and in the end

Tenho problema com a vida porque tenho problema com edição.

e a maior ironia de todas é que quando me perguntam em que eu pretendo me especializar na minha carreira de cineasta (risos), eu respondo: 'montagem'.
SDDS terapia.
Por exemplo os textos desse blog. Me dá uma vontade de escrever, eu abro a página, escrevo e publico. de uma vez. não tem essa de editar ou escrever no word primeiro. nunca foi assim. Quero fazer uma música. peguei o violão, escolhi os acordes, fiz a letra. pronto, acabou. cantar. não tem aquecimento vocal nenhum. pronto, cantei. e por aí vai. e tem que sair perfeito. tem que ser foda!
e é exatamente por isso que eu me acho uma pessoa completamente sem talento algum pra nada.
porque como disse Henry Miller, eu não caminho por tempo suficiente na estrada que escolhi. Tenho que obter os resultados imediatamente! e os resultados tem que ser maravilhosos!
então eu abandono tudo porque não SUPORTARIA me ver falhando em nada. então, acabo nem tentando.
Meu ego é uma coisa tão gigante e transbordante que eu acabo me sufocando.
Ando por aí dentro dessa bolha de egocentrismo, nesse mundo onde eu sou importante pra mim e isso basta!

cadê o processo? as sementinhas que eu tenho que plantar? a coragem pra enfrentar o mundo de peito aberto? cadê?
nesse momento eu iria olhar pra Janete, minha ex-analista, e ela iria olhar de volta e me perguntar:
é, cadê?

ONDE ESTÁ?

Está nesta pequena falha de caráter ou o que quer que seja, onde eu prefiro me abster de ter uma vida afim de não me chatear. Isto é, me responsabilizar por qualquer coisa.
Está na minha preguiça das pessoas. preguiça de discutir. preguiça de interagir. preguiça de me chatear.
e por isso mesmo, a minha vida está um absurdo.
um absurdo, porque eu tenho 25 anos mas parece que tenho 16.
eu tenho até a fisionomia de uma menina de 16 anos, tamanha a minha falta de amadurecimento.
porque eu estou completamente afogada nesse FORMOL DO EGO.

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eu parei de escrever isso tudo aí em cima e saí da página pra refletir um pouco.
aí parei no blog da Mallu Magalhães, essa linda que me inspira demais. ela postou hoje mesmo sobre o Fernando Pessoa, esse lindo que me inspira demais. e falou da sincronicidade do mundo, coisa em que acredito demais! depois parei no vídeo do Toquinho cantando 'Caderno'. e isso me remeteu à minha infância. eu amava o Toquinho. lembrei de como a música sempre me atravessou de uma maneira mágica, eu sonhava acordada, tinha visões e por alguns momentos entendia a verdade da vida. e a verdade da vida é que ela é feita de momentos. e eles só serão eternos se você quiser que eles sejam.

e eu sou tudo isso e mais um pouco. eu sou essa pessoa de ego transbordante e também sou a pessoa que enxerga isso e quer ser cada vez melhor. eu sou tudo isso. e mais um pouco.
e daqui a pouco não serei mais nada disso.

e tá todo mundo junto nesse barco.
sou full of shit, full of ego, mas acima de TUDO
I'm so full of love!

e só o amor salva.

(the love you take is equal to the love you make)

sábado, 24 de novembro de 2012

in the water where I center my emotion

tenho refletido sobre meu corpo e minha alma e descobri do que eles são feitos.
água.

sou água. reflexo. adaptação. poder. emoção. fragilidade.

e nesse mundo perturbado quanto mais interajo com as pessoas descubro que sou um pedaço de cada uma delas. eu posso ser todas elas. se eu posso ser todos, quem eu realmente sou?

a minha necessidade de isolamento vem exatamente da minha conexão sem fim com todo o universo. é extremamente agoniante. eu sou todo mundo e por isso mesmo sou ninguém.

me tranco entre quatro paredes e grito e canto e leio. leio que ''quem sente não é quem é. atento ao que sou e vejo, torno-me eles e não eu. cada sonho ou desejo é do que nasce e não meu''. e choro! e falo 'Fernando, obrigada!". Fernando muito Pessoa. quem melhor do que você, meu português lindo, pra definir o indefinível.

aqui estou segura. sozinha eu sei quem sou. mas é falar e tocar em qualquer ser humano e consigo absorver os seus anseios, suas idéias, suas palavras e as vezes não consigo separar o que é meu do que é do outro. e fico confusa. meu coração encolhe. "Não sei quem sou, que alma tenho. Quando falo com sinceridade não sei com que sinceridade falo. Sou variamente outro do que um eu que não sei se existe (se é esses outros). Sinto crenças que não tenho. Enlevam-me ânsias que repudio. A minha perpétua atenção sobre mim perpetuamente me ponta traições de alma a um caráter que talvez eu não tenha, nem ela julga que eu tenho. Sinto-me múltiplo. Sou como um quarto com inúmeros espelhos fantásticos que torcem para reflexões falsas. Uma única anterior realidade que não está em nenhuma e está em todas. Como o panteísta se sente árvore e até a flor, eu sinto-me vários seres. Sinto-me viver vidas alheias, em mim, incompletamente, como se o meu ser participasse de todos os homens, incompletamente de cada, por uma suma de não-eus sintetizados num eu postiço". (Pessoa)

e assim, eu me permito sair pra ver o mundo vez ou outra e a experiência é sempre incrível e esgotante. como se eu me derramasse em todos e voltasse pra casa vazia. e não há liberdade maior do que sair por aí vazia. que é quando os outros derramam-se em você. e aí eu volto transbordando o que roubei sem intenção.

de todo jeito quero ser o mar, mas sou somente uma gota.

e na água onde centro todas as minhas emoções,
all the world can pass me by



sábado, 17 de novembro de 2012

Repost

"eu tiro meu livro da bolsa, inflamada de orgulho e de vergonha. queria que todo mundo soubesse a preciosidade ali nas minhas mãos, crônicas de clarice lispector, essa mulher, queria que as pessoas soubessem que estou ali abismada com a metafísica de um ovomaltine, meu deus, alguém percebeu o paradoxo do ovomaltine. queria que o mundo soubesse que estou ali usando meu cérebro e que não é fácil. mas mais do que isso, quero que todo o vagão saiba de quem lê clarice lispector: eu.

mas estou apenas com um livro de capa verde-água na mão, numa fonte horrorosa e uma ilustração ainda pior, e toda a gente ali deve achar que se trata de auto-ajuda.

desembarco e a vida é isso."

Esse é um texto do blog http://vodcabarata.blogspot.com/, intitulado "o maior ego do mundo".


o maior ego do mundo ainda é o meu!
(risos)